segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dificuldades


Outro problema enfrentado pelo Brasil foi a dificuldade para encontrar gente qualificada para serviços essenciais nas Forças Armadas: eletricistas, motoristas, mecânicos de automóveis, radiotelegrafistas, profissionais especializados em conserto de rádios, etc. Havia também um número insuficiente de oficiais da ativa, especialmente capitães e tenentes. A solução encontrada foi convocar reservistas, ex-alunos do CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva). A maioria desses reservistas era formada por profissionais liberais (médicos, advogados, engenheiros, professores...) que, de uma hora para outra, se tornaram oficiais combatentes.

Os reservistas transformados em oficiais combatentes ajudaram a desenhar um novo perfil para o exército brasileiro. Muitos oficiais graduados, que estavam servindo por mais tempo, tratavam os subordinados de maneira excessivamente ríspida. Esses subordinados costumavam sofrer prisões disciplinares por motivos insignificantes. Os novos oficiais, vindos do CPOR, adotavam uma postura diferente e mais sensata: como sabiam que a confiança mútua seria essencial em situações de combate, preferiam tratar os subordinados de maneira mais amigável e respeitosa. Tal tratamento era feito sem sacrifício da disciplina e da hierarquia.

Outro obstáculo foi recrutar homens fisicamente aptos para prestar o serviço militar. Por razões médicas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, um grande número de brasileiros foi dispensado. Entre os motivos da dispensa médica, os mais freqüentes eram problemas de dentição, subnutrição, doenças sexualmente transmissíveis, verminoses e outras infecções.

Parecia quase impossível que o Brasil conseguisse formar um contingente para lutar na guerra. Os mais céticos diziam, em tom de deboche, que era mais fácil "ensinar uma cobra a fumar" do que o Brasil conseguir formar uma força expedicionária para enfrentar os alemães.

Nenhum comentário:

Postar um comentário